Orgasmômetro: novo método que “mede” o prazer feminino

O estudo contou com a participação de 526 mulheres italianas onde, uma parte das mulheres eram pacientes de clínicas para pessoas que apresentam disfunção sexual.

Orgasmômetro: novo método que “mede” o prazer feminino
Foto: JANNINI E CIA
Escrito por: Ms Redação 09 de setembro de 2018 08h56 Comentários

Já parece certo que a função do sexo nos tempos atuais não é somente a reprodução. Vai muito além disso. O endocrinologista e sexologista da Universidade de Roma Tor Vergata, Emmanuele Jannini, estuda como o sexo evoluiu nas relações humanas.

De acordo com ele, "Somos os únicos animais neste planeta que fazem sexo não apenas para se reproduzir, mas por prazer”. O pesquisador sugere que esse fato único deveria aguçar outros cientistas a pesquisarem como “medir” o prazer gerado pelo ato sexual.

Jannini atualmente se uniu a um grupo de pesquisadores que diversas unidades italianas e agora tentam explorar como podemos medir o orgasmo feminino.

Os primeiros resultados saíram no mês de agosto e foram publicados na revista Plos One com o título em português de “Validação de uma escala visual analógica para medir a percepção subjetiva da intensidade orgásmica em mulheres: o orgasmômetro”. De acordo com Jannini e demais autores do trabalho, "Esta é a primeira vez que o orgasmo feminino é medido por meio de uma ferramenta psicométrica validada. "Nosso objetivo foi fornecer o primeiro e único instrumento, do qual temos conhecimento, para medir a intensidade, a quantidade de prazer feminino, durante a relação sexual, masturbação e outros atos sexuais".

Figura 1. Escala para medir orgasmo feminino. Foto: JANNINI E CIA.

O medidor de orgasmo deles não é uma máquina (ou então, algo material). De acordo com os pesquisadores, "Não existe uma máquina para medir o orgasmo, da mesma forma que não pode existir uma máquina para medir a dor". O que eles fizeram é criar um protocolo (algo a ser seguido) para medir o orgasmo na prática. Semelhante aos métodos que medem a dor. Usaram analgésicos. "Todas as drogas analgésicas vendidas em todo o mundo foram validadas por meio dessa escala visual analógica", comenta Jannini.

De acordo com eles, "Usamos a mesma escala com a qual a dor é medida, porque o prazer (...) (Figura 1) não apenas é igualmente subjetivo, mas também porque estimula partes parecidas (e próximas) do cérebro com mecanismos semelhantes. Tão semelhantes que às vezes o cérebro de algumas pessoas custa a distinguir, decidir, se uma determinada sensação é dolorosa ou prazerosa." Os autores deram exemplos que demonstram diferenças entre prazer e dor, "Em um estupro, o estímulo pode ser o mesmo de uma relação sexual, mas não há prazer, há dor: o cérebro decide corretamente que um estupro não é agradável, é algo terrível. O cérebro não registra essas sensações como prazerosas, decide que são dolorosas".

O estudo contou com a participação de 526 mulheres italianas onde, uma parte das mulheres (112) eram pacientes de clínicas para pessoas que apresentam disfunção sexual. O restante delas não tinha problemas de natureza sexual. Após qualquer tipo de experiência sexual (sexo oral, anal, masturbação e etc) elas eram orientadas a entrar em um site criado pela equipe e responder várias perguntas sobre a prática. De acordo com Jannini, "É um site inteligente que se adapta às respostas e hábitos de quem responde". Os principais resultados eram que as participantes do estudo tinham entre 19 e 35 anos e que o orgasmo aumentava com a idade. Mas Jannini alerta, "Não podemos dizer que o orgasmo depende inteiramente da idade porque, no caso das mulheres que entram na menopausa, há outros fatores que afetam a capacidade de sentir prazer". Além disso ele completa, Nossos experimentos mostraram que há uma grande viabilidade na experiência sexual feminina. No caso dos homens, suas experiências orgásmicas são mais semelhantes entre si e isso é diferente no caso das mulheres".

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